Dos comentários

O leitor Justiniano faz considerações interessantes aqui:

«O problema para mim resulta é o seguinte.
Há alguma esquerda que regozija com este problema por ser visto, por eles, como a consequencia lógica do liberalismo económico.
Há uma outra esquerda que, não querendo afundar o liberalismo económico, refere ser o evento o ocaso da desregulação do mercado e a derrota do “neo-liberalismo”.
Há a direita ortodoxa liberal que tem um sentimento misto, era quem maioritariamente lançava avisos de que “o desastre estava à espera de acontecer” e que os fundamentais da economia estavam a ser subvertidos. A democratização do crédito atiçava, em crescendo, a gula irresponsável dos trabalhadores e consumidores. A dierita ortodoxa é fiduciária o suficiente para saber os riscos que se estavam a correr e não aprecia minimamente estes riscos. Esta direita não vive atormentada pela exigencia do crescimento económico, nem vê necessário adequar os fundamentais da economia ao serviço de políticas expansionistas.
A direita “neo-liberal”, aquela que acha que consegue fazer a ponte entre a democracia económica e o mercado, a tal que é criativa o suficiente para criar estes mecanismos de oferta e que joga no limite da racionalidade económica, parece ser aquela que hoje sofre o constrangimento da derrota, pois foi também aquela a quem se atribui o crescimento económico das duas últimas décadas.
Ou seja o meu ponto é o seguinte, à consideração do R Tavares.
Sendo que nos propósitos finalisticos da economia a esquerda progressista, amiga do crescimento económico baseado no crescimento do mercado se identifica mais com a direita “neo-liberal” doque se identifica com a esquerda “contra economia de mercado” ou com a direita ortodoxa, como pode esta, de certo modo, regozijar com a falencia dos instrumentos financeiros que possibilitaram o momento da história da humanidade em que um maior número de pessoas teve acesso a bens que são instrumento de realização máxima de dignidade da pessoa humana e satisfazem necessidades de conforto sem igual na história da humanidade (habitação, consumo de conforto…automóvel, comunicaçoes…).
Parece-me corresponder mais à ideia de “cuspir no prato onde comeu”.
Eu compreendo que a inimizade, que desune socialistas democráticos e “neo-liberais”, é forte mas daí a abandonar a defesa do modelo aos “neo-liberais” acantonados, parece-me ser cruel com a história.
Lula da Silva regozija com a falencia dos mercados que nos últimos 20 anos levaram ao Brasil capital suficiente para transformá-lo no maior produtor alimentar mundial e consequentemente retirar da pobreza milhões de Brasileiros.
Lula não deixou de manter a liberdade dos mercados funcionarem e importar capital para financiar projectos produtivos que de outro modo estariam ainda por realizar (não obstante manter controlo sobre a exportação de capitais – o Brasil não é uma economia aberta).
Do mesmo modo o R Tavares advoga a política de expansão do crédito para o imobiliário vetuzto das nossas cidades, sabendo ou não, que somos um País deficitário em termos de capital (o nosso déficit comercial é de cerca de 10% do PIB), ou seja que teriamos de importar mais capital, como temos feito, para financiar o imobiliário e deste modo espor os Bancos Portugueses à dívida muito para além da capacidade da economia Nacional.
O que sobra!?
Sobram os ortodoxos que avisavam para “o acidente à espera de acontecer”, os conservadores proteccionistas, a Esquerda anti mercado e sobretudo sobram a esquerda progressista, isto pressupondo a derrota dos “neo-liberais”.
Qual a resposta dos democratas progressistas não querendo repetir as mesmas receitas!?»

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