A Universidade Feudal-Neoliberal

A crónica de ontem tem por título: A Universidade Feudal-Neoliberal. Leiam o texto integral no Público.

“Portugal deu, em poucos anos, um enorme salto na educação e na ciência. Quem olhar para os resultados do PISA ou para os números de novos doutorados poderá até pensar que tudo vai bem para Portugal na era do conhecimento. Tudo? Não. Bem no meio da paisagem, a universidade portuguesa continua como já era: irreformada, anquilosada, envelhecida.

À primeira vista, isto pode parecer injusto. Então onde estão os doutorados, bolseiros e investigadores? Na periferia do sistema.

(…) A chegada de um governo com um novo tipo de maioria parlamentar seria uma oportunidade para mudar este estado de coisas. Infelizmente pode ser uma oportunidade perdida. As propostas ministeriais em cima da mesa passam de facto os bolseiros para contratados, mas em contratos sucessivamente precários. Uma vez que o decreto-lei proposto pelo governo é omisso em relação à necessidade de os júris serem internacionais e independentes, o problema da endogamia não é resolvido e pode até agravar-se. E depois temos o escândalo dos supostos professores convidados, que em Portugal são frequentemente bolseiros dando de graça — ou quase — aulas em cargas horárias desproporcionadas. Aquilo que o Ministro considerou “normal em todo o mundo” — especialistas externos lecionando algumas cadeiras suplementares — não é o que se passa em Portugal, onde os professores convidados asseguram necessidades permanentes, muitas vezes no engodo de um dia poderem também entrar para o quadro num concurso feito à medida.

Ainda vamos a tempo de arrepiar caminho. Se queremos um país capaz de criar futuro é preciso fazer de uma vez por todas o debate sobre a renovação, abertura e rejuvenescimento do nosso ensino superior. Não é aceitável que esta maioria parlamentar passe ao lado da oportunidade de reformar profundamente a universidade portuguesa.”

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