A pasokização do PSD

Crónica de ontem no Público: “A pasokização do PSD”. Ou será a passos-coelhização? Começa assim:

“Há um par de anos, um espectro rondava a política portuguesa: era a “pasokização” do PS. Para quem não se lembra, o termo tinha origens no ex-grande partido socialista grego PASOK, que implodiu depois da sua participação em governos de austeridade, tendo sido ultrapassado à esquerda pelo Syriza. No PS, o medo da pasokização foi grande e era por vezes mencionado por dirigentes socialistas como uma das razões para evitar uma solução de bloco central no governo português.

Os tempos mudaram, as modas políticas também, e a “geringonça” veio para reinar no palco político onde antes a “pasokização” desempenhara um interessante papel secundário. Isso não quer dizer que o risco de pasokização tenha desaparecido completamente. Às vezes penso que foi simplesmente bater na porta ao lado. Hoje não é o PS, mas o PSD, que se arrisca a entrar numa espiral descendente.

Alguns dirão que esta previsão é absurda. O PSD ainda é o partido com o maior grupo parlamentar. O PSD ainda é um partido com uma enorme influência autárquica. O PSD ainda tem cerca de 30% nas sondagens. A palavra operativa em todas estas frases é, contudo, “ainda”. Ora, o PSD está sobretudo ainda em estado de negação: tem pelo menos três problemas que ignora como resolver e faz mesmo por ignorar que existem.”

1 Resposta a “A pasokização do PSD”


  • Não sendo um conservador, parece-me perigosa a possibilidade do PSD ser ultrapassado à direita por algo que não seja o CDS/PP.
    Até à data, estamos imunes a uma certa extrema direita, que facilmente pode ir buscar votos a não-votantes e mesmo à esquerda.
    Receio que um afundamento do PSD, misturado com uma pop estrela benzoca do CDS, e dado o ar dos tempos, pudesse levar muita gentes a votar num qualquer grupelho de extrema-direita.
    No fundo, o melhor é a esquerda continuar a provar que é melhor (tem sempre sido) a governar do que a direita.

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