Do nosso tempo [texto integral]

|Do arquivo Público 06.11.2017| Imaginemos que nasce um bebé. Como todos os que vieram antes e depois de hoje, ganha no primeiro dia “um bilhete de graça para andar no carrossel dos planetas”, como chamou uma poeta à vida na terra. Tudo o resto pode vir a ser muito diferente. Não só porque é possível que durante a sua geração o bilhete para andar no carrossel dos planetas permita, pela primeira vez, não estar sempre no mesmo planeta. Mas principalmente porque o planeta onde o bebé nasceu está a ficar cada vez mais pequeno. Quando for crescendo, o miúdo vai ter todas as ideias dos miúdos que se maravilham com coisas. Que está por detrás da porta quando não estou a olhar? O que pensa o gato? E uma das essenciais: será que do outro lado do mundo, neste preciso momento, está um menino ou uma menina a pensar na mesma coisa em que eu estou a pensar? Será que esse irmão gémeo em pensamento consegue imaginar que eu estou aqui a pensar isto, sem saber que eu existo e como me chamo? Mais tarde, o miúdo vai esquecer-se que teve esta ideia ou deixar de lhe atribuir grande importância. Sei que é assim, porque

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