Temo que não aprendamos à segunda tragédia: é preciso um Plano Marshall para o interior

“Após a catástrofe nacional de passado dia 15, é obrigatório discutir um Plano Marshall — a referência é batida, mas entende-se rapidamente o que quero dizer — para o interior do país e para as zonas afetadas. Discuta-se a proteção civil, sim. Mas se não se discutir já a recuperação económica e social corremos o risco de abandonar estes portugueses uma vez mais. Se não discutirmos já a valorização das pessoas e do território, não estaremos a fazer justiça às vítimas. Porquê? Porque é urgente e porque é possível: o Orçamento de Estado para 2018 acabou de dar entrada no parlamento. Eu respeito o partido que — ao invés de aproveitar o momento para marcar pontos mediáticos — diga o seguinte: “estamos dispostos a sentar-nos à mesa do orçamento para o alterar na especialidade tendo em conta a nova situação no interior do país, e estamos dispostos a fazê-lo mesmo que isso signifique que algumas das boas notícias do orçamento não possam agora ser tão generosas como antes se pensava”. É impensável que este orçamento possa ser aprovado sem um plano substancial e decisivo para a recuperação do interior e das zonas de catástrofe, que nos permita depois pedir também a ajuda da UE para um novo pacote do Fundo de Desenvolvimento Regional dedicado à reconversão da floresta portuguesa. Ou há solidariedade entre portugueses ou não teremos moral para exigir solidariedade aos outros.” Excerto da minha crónica de hoje no Público.

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Recibos verdes, o ponto cego do orçamento

A minha crónica de hoje no Público é sobre os recibos verdes no OE 2018. Um breve excerto: “Os contribuintes categoria B são mais conhecidos como “os recibos verdes”. Tanto podem ser os famosos “falsos recibos verdes” como os verdadeiros “trabalhadores independentes”. Todos eles deram um pulo na cadeira quando na sexta à meia-noite foi apresentado o orçamento e começaram a aparecer nas TVs tabelas em que — ao contrário do que se passava com trabalhadores por conta de outrem com rendimentos semelhantes — os seus impostos sofriam em 2018 um enorme aumento, que poderia ir dos 16% aos 25%. Sem informação prévia, os portugueses que vivem no mundo já por vezes kafkiano dos recibos verdes ficaram sem saber se estavam a ver a vida andar para trás, se o problema era do orçamento, de uma má interpretação jornalística ou de contas mal feitas pelos consultores fiscais de que a imprensa se socorre nestas ocasiões. Passado um par de dias, é ainda perplexos e alarmados que estão.”

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Podemos passar pelo “caso Sócrates” sem tirar lições?

Podemos passar pelo “caso Sócrates” sem tirar lições? “De facto, mesmo que o que sabemos das quatro mil páginas não tenha sido verdade mas seja apenas plausível, demasiadas coisas estão por fazer, porque demasiadas coisas terão possivelmente falhado. Os nossos governantes não foram suficientes escrutinados nem fiscalizados. Os conselhos de administração de empresas públicas não foram suficientes independentes nem transparentes. As pessoas que poderiam ter identificado irregularidades ou comportamentos suspeitos não estavam suficientemente protegidas para poderem denunciar em segurança. E a nossa democracia — na qual , lembre-se, alguns dos nossos concidadãos reelegeram há menos de duas semanas um autarca condenado — não está suficientemente protegida para que o dinheiro obtido criminosamente não venha no futuro a comprar poder político, mesmo no topo da hierarquia.” Hoje no Público e a crónica completa pode ser lida aqui.

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A questão catalã é para levar a sério [texto integral]

|Do arquivo Público 11.09.2017| Hoje, 11 de setembro, é previsível que centenas de milhares de catalães saiam às ruas como fazem todos os anos na jornada a que chamam “Diada”. Trata-se da comemoração de uma derrota: aquela que, em 1714, encerrou por séculos a questão da independência da Catalunha, no fim da Guerra da Sucessão espanhola.  O que poucos portugueses sabem é que essa data marca também o fim da intervenção de Portugal nas questões nacionais de Espanha. Sim, nessa guerra em que Portugal participou aliado à Áustria (que apoiava, na prática, a secessão da Catalunha), à Holanda e a Inglaterra, contra a França e a Espanha, tropas portuguesas chegaram a ocupar Madrid em 1707 e a coroa portuguesa revelava pretensões sobre a Galiza e a Extremadura espanhola. O Tratado de Utrecht, de 1713, saldou-se por uma espécie de empate: o rei de Espanha viu-se forçado a reconhecer o rei de Portugal como seu igual e a aceitar definitivamente a independência portuguesa; pelo seu lado, Portugal abandonou pretensões a terras espanholas no continente europeu (na América do Sul a história foi diferente; e mesmo na Europa a história inverteu-se cem anos depois, quando os espanhóis se aliaram a Napoleão em troca de metade de Portugal e acabaram a “esquecer-se” de devolver Olivença após o Congresso de Viena). A decisão, por parte do Estado português,

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