Como lembrei aqui várias vezes, a base legal da troika era reconhecidamente frágil, e a partir de que houvesse um governo disposto a usar esse argumento, ela estaria condenada. A lista de reformas do governo grego foi entregue — a horas, ao contrário do noticiado. As instituições da UE (Comissão Europeia e Banco Central Europeu) declararam que o documento era um bom ponto de partida e o eurogrupo aprovou-o. Pormenor revelador, o FMI teve uma posição mais negativa, mas isso não influenciou o resultado. Os próximos meses dirão se estou certo, e se a crise do euro começou a acabar. Tudo isto, contudo, está muito longe da forma como esta atualidade tem sido seguida, pontinho para aqui, pontinho para acolá, como num jogo de pingue-pongue. Vamos a um exemplo: a troika. Na sua crónica de ontem, João Miguel Tavares critica-me porque, segundo ele, a troika foi apenas substituída pelas “instituições” e, portanto, continua na substância. Prova? Um eurodeputado do Syriza e veterano anti-nazi, Manolis Glezos, declarou que chamar “carne ao peixe” não significava o fim da troika. Camilo Lourenço, no Jornal de Negócios, usa o mesmo argumento de João Miguel Tavares, e proclama derrota para Varoufakis. Vamos então recuar a 30 de janeiro, em Atenas,