“Toda a Europa deve um grande agradecimento à razoabilidade e imaginação de Varoufakis. O Armagedão foi evitado. Agora vamos ao trabalho.” “Crise” é um termo médico de origem grega: o momento em que o paciente pode morrer ou melhorar substancialmente e recuperar a saúde. Por esta definição podemos dizer que a passada sexta-feira, com a aprovação de um mero comunicado entre a Grécia e o Eurogrupo, foi o momento em que a crise do euro começou a acabar. Sei que já foram escritas inúmeras análises sobre este assunto e nenhuma tão taxativamente otimista como esta. Assumo esse risco e veremos daqui a uns meses. Mas primeiro deixem-me fazer alguns alertas. Dizer que a crise do euro começou a acabar não significa que os nossos problemas crónicos tenham acabado, que o eurogrupo tenha decidido abolir a austeridade, ou até que não continuemos a ter estes momentos angustiantes com assustadora frequência. Já hoje teremos a análise da lista de reformas proposta pelo governo grego, depois os debates nos vários parlamentos do eurogrupo, e daqui a quatro meses repete-se tudo quando acabar este financiamento ao governo grego. Vai continuar a haver incerteza e essa incerteza continuará a gerar notícias de jornal e especulação. Mas o grau dessa incerteza vai progressivamente diminuir. Por outras palavras, a Europa recuou na sexta um passo do precipício.