Se o debate na União Europeia fosse sobre como nos preparamos para o futuro, já teríamos saído da crise há muito tempo, não só porque teríamos um plano conjunto que interessasse tantos a uns como a outros, como sobretudo facilmente conquistaríamos o apoio do resto do mundo. A Europa tem recursos suficientes, humanos e materiais, para tornar um seu plano de recuperação credível ao mundo e apetecível aos seus investidores. Em “O Visconde cortado ao meio”, de Italo Calvino, um homem vai para a guerra no centro da Europa e apanha com uma bala de canhão no peito que o racha ao meio. Uma metade é apanhada por monges cristãos, outra por nigromantes turcos, e ambas sobrevivem. Contei essa história no meu livro sobre “A Ironia do Projeto Europeu” e repito-a aqui porque me parece uma das melhores descrições do problema que estamos a viver na União Europeia hoje