O caderno de milagres

Ora, um governo não é dono do país, dos seus recursos, das suas ferramentas. É um cuidador, mandatado politicamente pela comunidade, até chegar o momento de passar o seu mandato a outros. O governo está em fim de mandato e não há, neste momento, um consenso político sobre a privatização da TAP. Esperar e levar o tema a eleições seria o único cadernode encargos possível para um governo minimamente sério. Há uma coisa extraordinária: um caderno de encargos resolve tudo. Se o estimado leitor não conseguir fazer qualquer coisa — encontrar a alma gémea, emagrecer, terminar um livro, aumentar o seu salário — tem bom remédio. Privatize-se e endosse tudo isso num caderno de encargos ao seu comprador. Ele terá de lhe acrescentar uma assoalhada à casa, aparar a relva, ir buscar os filhos à escola, e pagar por isso. É isto, não é?

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