Isto só o Charlie poderia desenhar, porque está a falar dele mesmo. Dizia o comediante George Carlin que “o dever do humorista é procurar onde estão os limites e violá-los intencionalmente”. É o que faz a primeira capa do Charlie Hebdo após a matança de doze dos seus autores e colaboradores perpetrada por fanáticos islamistas. Muitos de vós já a terão visto: representa Maomé segurando um cartaz “Je Suis Charlie”, com uma lágrima ao canto do olho, e um título nas habituais letras garrafais manuscritas: ESTÁ TUDO PERDOADO. Tudo perdoado como? Mas como pode estar perdoada um dos ataques mais violentos de sempre a um jornal? Como pode o cartunista Luz, autor desta capa, fazer isto com o assassinato dos seus próprios amigos? A resposta está no dever do humorista: