Este modelo de esquerda partidária há muito que está esgotado. O desafio que se coloca é como suplantá-lo, e a chave é esta: precisamos agora de uma esquerda que em vez de só querer governar ou só querer não governar, queira saber porquê governar e sobretudo para quê governar.
No fundo, o drama da esquerda partidária portuguesa é este: há uma metade que só pensa em governar; a outra metade só pensa em não governar.
A esquerda partidária que só pensa em governar acha, que para isso, tem de ser centrista. A esquerda que só pensa em não governar acha que, para isso, tem de ser extremista. A esquerda partidária portuguesa anda há décadas a fazer a esparregata, e pagou-se um preço considerável por isso. Uma parte grande da população portuguesa nunca esteve representada na governação, com tudo o que isso implica. Política não é só parlamento, mundo sindical ou círculos de reflexão e debate. É poder, de forma decisiva, contribuir para o destino do país. Continuar a ler ‘A chave’
Quanto a Portugal, que se ponha em guarda. Com uma força de trabalho com baixos níveis de formação, uma crise que nos deixou presos ao pensamento de curto-prazo e uma elite que não tem demonstrado capacidade de deliberar para o futuro, arriscamo-nos a ser atropelados pelo camião-fantasma.




