A direita europeia, que tanto quis consagrar a herança cristã na construção da União Europeia, talvez pudesse reconhecer ao menos as palavra de Jesus a Pedro, quando este, no Evangelho de São Mateus, lhe pergunta se haveria de perdoar sete vezes: “sete vezes, não — mas setenta vezes sete”. O primeiro-ministro descreveu como irresponsável um manifesto assinado por setenta economistas, patrões, sindicalistas, políticos e ex-governantes, todos defendendo a reestruturação da dívida portuguesa como condição sine qua non para que a economia possa crescer. Passos Coelho não tem razão. Ele considera que os signatários do manifesto pecam por excesso. No máximo, eles pecariam por defeito. Mas é um pecado menor. O único problema do manifesto é ser de setenta portugueses, e não de setenta vezes sete, que poderiam ser portugueses, gregos, irlandeses, cipriotas, italianos, espanhóis e — porque não? — alemães. Nesse manifesto pan-europeu com que sonho, dir-se-ia a mesma coisa, mas multiplicada: