A paixão de Fernando Pessoa

Nessa Europa ainda estranhamente calma, a poucas semanas de se desequilibrar na Grande Guerra (que lhe daria “O menino de sua mãe”), Fernando Pessoa passou a sua ansiedade da influência a todos os escritores de língua portuguesa que lhe sucederam. Harold Bloom, um estudioso da literatura, escreveu uma vez um livro chamado “A Ansiedade da Influência”, no qual lidava com a tensão entre o grande escritor e o escritor ainda maior. Para pôr as coisas em termos simples, o grande escritor que admira o escritor ainda maior passa pela tal “ansiedade da influência”, a admiração torna-se inveja, a inveja emulação, a emulação frustração, a frustração afastamento, e o afastamento (nos melhores dos casos) superação. Os maiores dos grandes escritores pairam como uma sombra sobre todos os outros: todo o escritor de língua inglesa vive na ansiedade da influência de Shakespeare (ou na sua rejeição), como o russo sob (ou contra) Tolstoi, etc. Faz por estes dias cem anos, Fernando Pessoa encontrava a sua forma de escapar à ansiedade da influência, e de sair dela por cima.

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