Se acham que isto é mau, pensem que ao menos não temos o quarto cenário: o nuclear. A Ucrânia tinha o terceiro maior arsenal nuclear do mundo, herdade da URSS, mas devolveu-o em troca da sua integridade territorial. Quais são as opções daqui para a frente? Um primeiro cenário é relativamente curto e benigno. Não chega a haver derramamento de sangue entre russos e ucranianos na Crimeia, nem invasão em larga escala de território ucraniano. Tanto a Rússia como os EUA e a UE conseguem salvar a face. No caso de Putin, porque as tropas que estão a ocupar a Crimeia não são assumidas diretamente como fazendo parte do exército regular russo. No caso de Obama e dos europeus, porque após esta rápida escalada há um desinvestimento na conflitualidade. Para compor as coisas, o novo governo ucraniano é levado a fazer concessões linguísticas e a conceder mais auto-governo às regiões russófonas. Toda a gente recobra os sentidos e entende que não podemos ter, em pleno século XXI, uma crise típica do século XIX. Para isso terá ajudado o tombo que deram os mercados nos últimos dias e a interdependência entre os líderes da Rússia e da União Europeia. O mundo acorda deste mau pedaço como quem se tivesse embebedado na noite anterior e agora não tenha mais do que encarar a ressaca. O ponto de partida do segundo cenário é