Espero que os resultados do PISA possam ensinar duas coisas ao atual ministro da Educação. A primeira: deve educar-se para os alunos reais, e não para os preconceitos dos pais. A segunda: é preciso aprender com os erros, e corrigir. Em Portugal há muita gente que acredita que se deve educar para os pais, e não para os filhos. Se o pai fez exame da quarta classe, deve fazer-se exame da quarta classe; se a mãe não usava calculadora, o filho não deve usar calculadora; se a avó decorava o dia todo, a neta deve decorar o dia todo. Durante algum tempo, as pessoas que assim pensam dominaram o debate público. Com este governo, chegaram ao poder. E agora está na altura de ver como se têm saído. Uma bitola importante para estas coisas é a avaliação internacional PISA — sigla em inglês do Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes — que de três em três anos avalia o desempenho de alunos de vários países em matemática, ciências e leitura. Apesar de todas as dificuldades inerentes aos estudos comparativos, o PISA está bem desenhado e tem reforçado a sua credibilidade de edição para edição. Quando saem os resultados é como se os países tivessem ido à escola, e de certa forma é verdade: no fundo, são os governos ou as políticas educativas que passam ou chumbam nestes testes. Não por acaso, o novo resultado do PISA, que foi divulgado ontem, foi notícia em jornais de todo o mundo. Portugal não foi exceção.