Não há razão para supor que à escala europeia as conquistas fossem dádivas caídas do céu. Isto depende de nós, muito mais do que se julga. A formação de um governo alemão de “grande coligação” deu azo a uma série de declarações de óbito às pretensões da esquerda sobre a crise do euro e da União Europeia. Deixemos então uma coisa clara: a direita ganhou as eleições alemãs. O governo alemão vai ser chefiado por uma chanceler de direita, com um ministro das finanças de direita, e com políticas maioritariamente de direita. Angela Merkel ganhou as eleições porque foi vista, pelo seu eleitorado, como defendendo os interesses do seu país sobre os interesses gerais europeus. Desde então não seria crível que o essencial da política alemã mudasse, e os parcos ganhos para os interesses dos países periféricos seriam sempre marginais: o desaparecimento dos anteriores parceiros de coligação, os liberais, ainda mais adversários da regulação da banca e de políticas monetárias expansionistas, e a imposição social-democrata de um salário mínimo alemão, o que permitirá o aumento do consumo e indiretamente de importações a partir da periferia. As eleições alemãs poderiam ter ajudado qualquer coisa, mas vão ajudar pouco ou nada. Ponhamos, porém, as coisas nos seus verdadeiros termos: