Às 11 do 11 do 11

No fim da IIª Guerra Mundial, Keynes lutou estrenuamente para que os países devedores pudessem suspender pagamentos a países que tenham excedentes. Os primeiros teriam um alívio num momento em que os outros não precisam imediatamente do dinheiro. Uma medida simples que funcionaria a contento de todos, e que ainda hoje permitiria a um país como Portugal respirar fundo para poder recuperar sem, no fundo, prejudicar ninguém. Se por acaso está a ler este jornal às onze da manhã, talvez não seja despropositado dedicar um minuto à reflexão de que há 95 anos cessou finalmente uma das mortandades mais estúpidas e inúteis (de entre todas as mortandades estúpidas e inúteis) da história da humanidade. Na madrugada do dia onze de novembro de 1918, numa carruagem de comboio, foi finalmente assinado o armistício entre as partes beligerantes da Iª Guerra Mundial. O acordo estipulava que as armas se calariam às onze horas da manhã do mesmo dia, o que de facto aconteceu. Só depois dessa hora as populações foram avisadas de que tinha acabado a guerra que as martirizava desde há pouco mais de quatro anos. O momento ficou na memória coletiva como “as 11 do 11 do 11” — as onze horas do dia 11 de novembro. E até há quem lhe acrescente ao conto um ponto de imaginação, dizendo que a paz chegou onze minutos depois, para dar o dia 11/11, às 11:11.

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