Encarcerados

O que se passou no Funchal é um bom exemplo do que pode acontecer quando se faz política com coragem. A Câmara Municipal era do PSD; ainda há poucos meses se apostava que ela iria passar para as mãos do CDS, cujo candidato era o líder regional José Manuel Rodrigues; mas não foi nada disto que aconteceu. Uma aliança entre seis partidos da oposição, incluindo o PS e o BE, conseguiu que os eleitores do Funchal premiassem a capacidade de inovar e fazer alianças. Para isso, é claro, foi preciso haver partidos regionais com autonomia estatutária em relação às direções nacionais. O exemplo contrário ocorreu em Caminha, onde conversações para uma aliança semelhante foram desautorizadas pela direção nacional do Bloco de Esquerda, apesar de terem sido iniciadas e aprovadas pelos militantes locais. O resultado foi que o BE não concorreu e o PS ganhou sozinho. Porquê isto? Porque as direções nacionais dos partidos ganharam o hábito de ver cada eleição apenas como um episódio das legislativas — e com isso não aproveitam as eleições de agora nem preparam as do futuro. Na ausência de uma estratégia para a mudança, as eleições locais ficaram só pelo taticismo: se o governo caía, se o secretário-geral do PS seria substituído. E agora? Se o governo cai, o mais provável é haver um novo governo do PS com o CDS, ou do PS com o PSD. É isso que queremos? para os taticistas, sim: já se esfregam as mãos de contente a pensar no espaço livre que isso daria “ao partido”.

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