Achtung, baby!

Não digo isto porque queira o mal dos alemães. Pelo contrário. Digo por querer o bem de todos os europeus. Para que possamos concentrar-nos naquilo que verdadeiramente importa: criar um movimento progressista que resgate o projeto europeu. Desculpem, mas não quero saber das eleições alemãs. Sim, eu sei. Era suposto elas mudarem tudo. Depois, era suposto elas mudarem nada. Se Merkel perdesse, dizia-se primeiro. Nem que os Sociais-democratas ganhem, dizia-se depois. Alemanha, Alemanha, Alemanha, até à exaustão, maniaco-depressivamente apresentada como a grande líder ou o grande obstáculo do futuro europeu. Na verdade, o tamanho fantasmático que a Alemanha ganhou foi adquirido à conta dos espaços vazios deixados pelos outros. Sim, é verdade que o governo alemão bloqueou todas as soluções, dos eurobonds à uma união bancária ambiciosa. Mas também é verdade que nenhum outro governo teve coragem de defender estas medidas e de lutar por elas, de fazer alianças por elas e ganhar batalhas. Para isso poderia ser necessário despertar o governo da França, tão sonâmbulo com Sarkozy como com Hollande. Poderia ser necessário unir os PIIGS, mas Portugal nunca quis nada com a Grécia, e a Espanha nunca quis nada com Portugal, e a Itália anda perdida nas suas intrigas. Poderia ser necessário apresentar ideias para a União Europeia, mas para isso era preciso que os nossos governos as tivessem. Poderia ser necessário um Presidente da Comissão forte, mas para isso seria necessário elegê-lo.

Read more
Skip to content