Morte nos bastidores?

Há certas coisas que só se conseguem fazer à escala europeia, mas que não se farão sem democracia. A Taxa sobre as Transações Financeiras, também conhecida por Taxa Tobin (embora pareça ter sido primeiro proposta por Keynes em 1936), foi durante muitos anos defendida como uma espécie de causa justa, mas utópica, e perdida — uma cobrança, mesmo muita reduzida, em cada transação, permitiria recolher biliões para o combate à pobreza e para a ajuda ao desenvolvimento. Após a crise de 2008, muitos economistas voltaram ao assunto com base nas intenções de James Tobin, defendendo que a taxa permitiria “arrefecer” as atividades mais especulativas dos mercados. E, finalmente, com os orçamentos nacionais sob pressão, até alguns governos e a Comissão Europeia concordaram: uma taxa de 0,1% sobre as transações entre instituições financeiras reuniria entre 70 mil milhões e 400 mil milhões de euros anuais, que poderiam financiar a recuperação da economia europeia. Até uma taxa muito mais reduzida de 0,01% sobre certos produtos derivados e transações de alta frequência, baseadas numa miríade de operações realizadas em milissegundos, teria efeitos reguladores sobre mercados que não parecem ter valor social acrescentado.

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