Esta crise dos direitos fundamentais já aí está. A dificuldade está em que, dado o seu caráter proteico, é difícil aos cidadãos identificarem-na e encontrarem formas de a combater. Mas quando a imaginação coletiva se concentra numa causa, como sucedeu em Istambul, o movimento extravasa facilmente os acontecimentos iniciais. Para quem acha que só economia é política, a Turquia será um caso bicudo. Não há país da OCDE que tenha crescido mais nos últimos anos: a taxa média de crescimento nos últimos três anos tem andado à volta dos sete por cento, o que é ainda mais notável se pensarmos que a economia dos parceiros europeus tem estado estagnada; a inflação é baixa em comparação histórica, o desemprego baixo em comparação geográfica. Mas nem só de pão vivem os turcos; ninguém vive. Os turcos querem liberdade, qualidade de vida e respeito pelas pessoas.