A agonia da política

A política agónica é assim: vai negando a necessidade de abertura e democracia para depois nos assustar com o populismo gerado sob esse estado de negação, e pedir que a salvemos quando ela não foi capaz de se salvar. As modas italianas, como no passado, voltaram a ser seguidas com rapidez crescente. Nos passados meses e anos a nossa elite política suspirou por um governo técnico, de sábios, à Monti, para aplicar o consenso das “reformas europeias” — até se verificar a ingratidão com que os eleitores trataram Mario Monti, o senador perpétuo, nas urnas. Agora, mais rápidos, ainda nem os italianos acabam de formar um governo de largo espectro político, unindo berlusconistas e antiberlusconistas, — e já um congresso do Partido Socialista se afadigou em demonstrar a necessidade de fazer em Portugal um governo que reunisse “democratas cristãos” a “sociais democratas” e genéricos “progressistas”. Para fazer o quê?

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