E nós ali, descendo a Avenida da Liberdade, centenas de milhares de pessoas exauridas. Somos o povo esquecido. O povo a quem roubaram o futuro. O povo abandonado pelo seu governo. Estávamos no cimo da Avenida, preparados para um ato português desta tragédia europeia. Estamos agora vendo acontecer aquilo que em geral pensávamos só ler nos livros. Um continente perdido, dividido sobre si mesmo, injustiçando gerações a favor das suas crenças obsoletas, deixando sacrificar povos inteiros. E nós ali, descendo a Avenida da Liberdade, centenas de milhares de pessoas exauridas. Somos o povo esquecido. O povo a quem roubaram o futuro. O povo abandonado pelo seu governo. Quase não há palavras de ordem; gritamos em silêncio. Descendo a Avenida da Liberdade, agrilhoados. Juntos, mas sozinhos com os nossos pensamentos.