A nossa democracia só poderá evitar repetir as decadências do passado se conseguir abrir-se à sociedade. Só que, nesse campo, o nosso regime está a fazer um péssimo trabalho. Esta série de crónicas parte de um pressuposto: o de que o regime democrático português tem sido desvirtuado. Começámos por um paralelo histórico, pois as duas anteriores tentativas de regimes análogos em Portugal (o liberalismo e a Iª República), com todos os seus defeitos e diferenças, começaram também pelas melhores intenções constitucionais e acabaram presas do clientelismo, do feudalismo político, e de partidos políticos hierárquicos, fechados e a certa altura ideologicamente vazios, pois serviam apenas de entrepostos de distribuição de lugares e de favores. A questão aqui é: será mera coincidência qualquer semelhança com o presente? Na minha opinião, há uma diferença enorme.