Aqueles jovens estavam ali por ideias que partilhavam — as da esquerda, e em particular as do socialismo, do trabalhismo e da social-democracia de estirpe escandinava. Vale a pena, um ano após a morte deles, lembrar que ideias são essas. Passou ontem um ano sobre o massacre de jovens na ilha norueguesa de Utøya. Falou-se muito sobre os motivos do assassino, sobre se este era louco ou um terrorista, ou ambas as coisas, e quais eram as raízes da sua ideologia. Falou-se pouco sobre quais eram as crenças e os ideias daqueles que morreram. Uma grande injustiça, também isto. Os jovens que ali estavam não deixaram “compêndios” de milhares de páginas com as suas elucubrações, nem pegaram em armas para deixar dezenas de cadáveres que lhes servissem de propaganda. Mas o horror perante a ideologia do assassino não pode deixar as vítimas condenadas ao silêncio, como meros sujeitos passivos.