A doença europeia chama-se agora desemprego. E é agravada pela austeridade. Nos anos de 2008 e 2009 os líderes europeus demonstravam bastante confiança na solidez do seu sistema financeiro e, de caminho, no futuro da moeda única também. Em público dedicavam-se a admoestações aos americanos pela forma como estes tinham gerido mal a sua banca. Em privado, gabavam-se de que uma tal desregulação da banca seria completamente impossível na Europa. A imprensa especializada era menos entusiasta: já na altura se sabia que os bancos europeus, em particular franceses e alemães, se tinham alambazado em ativos tóxicos de origem americana, e que agora teriam de regurgitar tudo aquilo. (No meio desse cenário preocupante, apenas um bom exemplo se destacava — o da banca espanhola, que tinha regras muito mais exigentes de financiamento, gestão e garantias do que era habitual na banca europeia. Vamos reservar este dado para a segunda metade da crónica.