Quando a democracia fala, os políticos devem ouvir. A União Europeia viveu ontem o último episódio da sua relação de fobia com a democracia. Já vem de trás, é verdade, desde o tempo em que os irlandeses ou dinamarqueses eram obrigados a repetir os seus referendos até eles darem o resultado “certo”. Há uns meses, Merkel e Sarkozy entraram em hiperventilação só porque o governo de George Papandreou na Grécia tentou marcar um referendo que, naquela altura, não dava jeito. Mais ou menos pela mesma altura, manobraram para substituir os governos da Itália e da Grécia — mas sem eleições por favor. Tinham demasiado medo. O que se viveu neste mês entre duas eleições gregas, porém, ultrapassou tudo. Editoriais, entrevistas, pressões, chantagens — a cada dia que passava, o febrão ia ficando mais alto. A hipótese de um partido anti-austeridade, o SyRizA, ganhar as eleições, infundiu verdadeiro pânico nas lideranças europeias. Christine Lagarde, primeiro, e Angela Merkel, depois, deixaram a mensagem clara de que um voto no SyRizA seria um voto pela calamidade económica. No dia das eleições, a Europa apertou o cinto de segurança como se o mundo fosse acabar. Sabem o que seria bom ter na Europa? Um político, homem ou mulher,