Os atropelos à democracia por parte do governo regional, do PSD/Madeira e do seu presidente, Alberto João Jardim, são um mau sintoma e também uma causa profunda dos nossos problemas. A democracia, mesmo para quem acredita nela, não resolve os problemas todos. O que a democracia faz é criar uma maneira que permite resolver problemas. Não é uma solução para tudo, mas uma forma de encontrar soluções em conjunto. Provavelmente eu deveria ter escrito “formas”, no plural. Como é evidente, a democracia funciona em diferentes escalas. Na verdade, cada uma das escalas reforça as outras. Se a democracia não funciona à escala europeia a consequência direta é, como tenho escrito aqui várias vezes, o autoritarismo inerente ao diretório — ou mesmo só à chanceler do país mais poderoso — vergar sob o seu peso as nossas democracias nacionais. Os resultados estão à vista: constituições espezinhadas, governos tecnocráticos, referendos indesejáveis anulados e outros referendos repetidos até darem o resultado pretendido, etc. Ora, o mesmo se passa da escala nacional para baixo. Se a democracia na nossa república funcionasse bem (nos seus vários poderes: executivo, judicial e legislativo) certamente que isso reforçaria, e não prejudicaria, a democracia nas nossas regiões autónomas ou nas nossas autarquias. Se a democracia funcionasse bem na escala local ou regional