A náusea

A diferença entre o “estado profundo” turco e o “estado superficial” português está, pois, apenas em saber quanto alastrou a doença. É que, como nas árvores, ela pode atacar a democracia tanto pelas folhas como pelas raízes. Na Turquia a sociedade toda — a civil, a militar, e os curdos — vive obcecada com a existência de uma coisa a que chamam de “o estado profundo”. O “estado profundo” consiste nas fundas raízes que os serviços secretos, polícias e exército, mancomunados com elementos dos negócios e da política, sem esquecer, é claro, um sistema judicial moroso e manipulável, lançam até até aos alicerces de toda a vida nacional. Em Portugal talvez não haja “estado profundo”. Mas vamos sabendo que existe o “estado superficial”.

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