Datas, somente datas

Isto não são datas, somente datas. São memórias de como a história às vezes nos foge descontrolada. O que me interessa no naufrágio do Titanic é o que aconteceu depois. Quando os passageiros embarcaram no grande paquete transatlântico, há pouco mais de cem anos, ainda havia um mundo, o da Europa Imperial, com mais do que apenas vestígios de Antigo Regime, e todo um otimismo industrial-colonialista para supostamente o levar à glória. Em 1912 havia um Império Austro-Húngaro; havia um Império Otomano; havia um czar na Rússia; havia um Império Alemão que era o herdeiro da Prússia Imperial. E não é só que “havia” este ou aquele império. Parecia que sempre tinham estado ali (embora não fosse verdade) e que ali continuavam para durar. Na verdade, todo esse mundo estava à beira da falésia sem o imaginar. As ideias que o sustentavam tinham se esboroado já. O que não quer dizer que

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