É às elites portuguesas que fica agora bem repudiar os investimentos em transportes. E há toda uma paleta de preconceitos para o justificar. Regressando a casa, fiz no outro dia escala no aeroporto de Madrid. Não nos terminais modernos e espaçosos de que Barajas, como se chama o aeroporto, dispõe. O voo para Lisboa partia de um dos terminais mais distantes, quase uma espécie de armazéns para passageiros, só acessíveis por autocarro. À espera do avião uma ou duas centenas de portugueses com ar cansado, pasta de trabalho na mão, uns com pinta de quem veio às reuniões do escritório de advogados, outros com ar de quem fazia aquilo todas as semanas. À entrada, alguém disse: “bem, vamos lá apanhar o autocarro”. O “autocarro” era, bem entendido, o avião Madrid-Lisboa.