Apenas uma certeza: aplaudir os corajosos líbios numa semana e deixar que eles se lixem na seguinte é uma indignidade. Há certo alvoroço na blogosfera sobre o voto de uma resolução do Parlamento Europeu àcerca da Líbia (sem ser exaustivo, cito o Renato Teixeira e o Bruno Carvalho do 5dias, e uma série de comentadores num texto do Miguel Portas e da Marisa Matias no esquerda.net, entre alguns outros). Esse alvoroço vem acompanhado de uma fúria inquisitorial que, tratando-se do assunto de que se trata, é vergonhosa. No texto que escreveram, o Miguel Portas e a Marisa Matias responderam muito bem ao estilo e ao fundo da questão e eu subscrevo grande parte do que dizem. Aproveito para acrescentar algumas coisas do meu lado. Sobre mim em particular, queixam-se os ditos bloguers e comentadores de 1) não terem lido nada (aliás, por culpa deles, como se verá) que eu tivesse escrito àcerca do voto da resolução sobre a Líbia no PE; 2) eu ter votado de forma diferente dos meus colegas na delegação do BE ao PE. Acima usei a expressão “fúria inquisitorial”, mas talvez não seja o bom termo, e por uma razão: os inquisidores eram diligentes e não deixavam nada por consultar. Ora, se os meus acusadores fossem minimamente diligentes teriam notado que eu — longe de me remeter ao silêncio — fui o primeiro eurodeputado português a escrever sobre a resolução e sobre o meu voto, já há quase uma semana, e era até o único europdeputado português a tê-lo feito bem antes de esses acusadores terem acordado para o assunto. Fi-lo aliás menos de uma hora depois do voto, através do meu twitter, que é retransmitido no meu blogue e até no portal oficial dos eurodeputados do BE. E nesse mesmo momento respondi a perguntas, em directo e ao vivo, sobre se o meu voto era diferente do voto do Miguel e da Marisa (vejam se percebem o seguinte: no PE a regra é a liberdade de voto, felizmente). Prestação de contas mais rápida é difícil, mas enfim, escapou a observadores que deveriam ser atentos. Em particular, gostaria de saber que raio de jornalista é o Renato Teixeira que não fez uma pesquisa básica nos meios oficiais de comunicação do deputado e da delegação sobre os quais escreve incessantemente desde há dias. Mas não percamos tempo. Então, que temos na Líbia?