Traduzam-se para a guerra

A sociedade contemporânea precisa de uma internet livre, justa e igual para a ONG, a banda de garagem, a empresa da esquina ou a companhia multinacional. Lembra-se quando as traduções automáticas do Google produziam resultados ridículos? Já experimentou recentemente traduções automáticas do Google e reparou como a qualidade delas melhorou enormemente? É interessante conhecer a história desta evolução. Ela começa por ser uma lição de linguística e acaba sendo uma lição de política. Primeiro, a linguística. Uma definição simples de “língua” consiste em dizer que ela é um conjunto de significados mais um conjunto de regras. Quando a Google tentou ensinar línguas aos seus computadores, quis fazê-lo dessa forma, dando-lhes os significados, as regras, e tentando que eles fizessem o trabalho da mente humana. Só que os computadores não pensam (ainda?) linguisticamente como as mentes humanas. Numa tradução, a máquina poderia apanhar todas as palavras bem e, todavia, o sentido geral ser absurdo. Até que a Google mudou de estratégia. Em vez de ensinar gramática aos computadores, usou aquilo em que eles já eram bons: estatística. Hoje, a máquina não “entende” a frase: limita-se a procurar entre milhares de exemplos de traduções semelhantes e sair-se com a mais provável. As traduções melhoraram muito. O segundo parágrafo deste texto fica assim em inglês, sem nenhum retoque meu: “It is interesting to know the history of this development. It starts as a lesson in linguistics and ends up being a lesson in politics.” Ah, e então a tal lição de política?

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