As nossas vontades e os nossos fados tão contrários são, que por terra deitam todo o nosso engenho. Os nossos pensamentos são nossos; os fins deles já nada têm connosco. Após treze anos de Parlamento na segunda metade do século XVI, Montaigne abandonou a cidade de Bordéus e instalou-se no campo para esperar pelo seu próprio fim. Tinha aprendido com os antigos que “filosofar é aprender a morrer”. Mas, pensando melhor agora que tinha tempo, aprender a morrer é um empenhamento fútil – com ou sem aprendizagem, o momento chega. Montaigne chegou então a outra pergunta. Tenho lido nos últimos tempos um livro sobre Montaigne por uma autora inglesa chamada Sarah Bakewell. Todos os seus vinte capítulos são tentativas de resposta à pergunta que Montaigne encontrou na filosofia antiga (e já ficando fora de moda face a uma filosofia mais abstrata) e a que se dedicou então – Como Viver?