Telhados turcos

Se as autoridades escolherem não usar já a indignação popular, será apenas para demonstrar sentido de responsabilidade agora e cobrar o preço mais tarde. Praça Taksim, Istambul, Turquia —. Não deve haver muitas cidades no mundo onde se possa ir à manifestação islamista e depois beber um copo nos bares da moda. Em Istambul, a semana passada, pude fazer ambas as coisas no mesmo bairro. Na manifestação entrei distraído no setor onde estavam as mulheres devotas. Um rapaz chamou-me a atenção e, com firme cortesia, fez-me sinal para me juntar aos homens. Eles estavam em frente ao palco segurando uma enorme bandeira da Palestina. Na tela em frente eram projetados filmes sobre a faixa de Gaza. Se passava a imagem comovente de uma criança ferida, por exemplo, a multidão exprimia-se lamentosa. “Allahu akbar, Allahu akbar”, como num gemido coletivo. Nos momentos de maior indignação o mesmo “Allahu akbar!” saía de uma vez só, troado por milhares de gargantas ao mesmo tempo. Uma explosão de adrenalina. Mas isto não é só uma manifestação de islamistas.

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