Ter uma estratégia em Bruxelas, que fosse de agir e não de reagir. Se houve tal estratégia, ninguém no governo de Portugal se deu ao trabalho de informar. Isto aconteceu em apenas uma semana. Em Portugal temos um governo de bloco central. Na Europa temos um governo económico. Em ambos os casos são governos de facto e não de jure. E agora, a ironia. Em Portugal, o governo de bloco central não manda, porque quem manda é Bruxelas. E em Bruxelas, o governo económico – aliás, antidemocrático e antifederal – também não manda, porque se limita a reagir “aos mercados”. Estas duas notícias ainda há uns meses mudariam tudo. Agora são de uma absurda irrelevância. Tempos fascinantes. Que crise é esta, em que todos ralham e todos parecem ter razão? É uma crise para os adversários da desregulação, e outra para os adversários do endividamento. Uma crise para os keynesianos e outra para os antikeynesianos. É uma crise feita de várias crises juntas. O seu nome é instabilidade. O melhor economista da instabilidade que conhecemos era o americano Hyman Minsky, falecido em 1996, que se opunha em simultâneo à desregulação, à dívida, e à retração do governo. Na sua obra maior, publicada nos anos 70 e chamada Estabilizando uma economia instável, ele deixa algumas notas interessantes: Primeira: