Quanto a nós – não-católicos como católicos – pedimos exatamente o mesmo à igreja que pediríamos a qualquer outra instituição: que não branqueie os crimes e que entregue os criminosos. A recente polémica sobre a pedofilia na igreja representa um estágio – porventura final – de algo que começou há duzentos e cinquenta anos: o processo de fazer da igreja uma instituição igual às outras, dentro do Estado. Identificar esse processo, bem claro no mundo católico quando Roma passou a ser a capital de um Estado italiano e o Vaticano uma cidade-estado ainda que com atribuições “espirituais”, não implica concordar ou discordar dele. Mas implica reconhecer que ele está para lá das fronteiras da “comunidade dos crentes” e que nos implica a todos enquanto comunidade politicamente organizada. Enquanto pessoa irreligiosa, eu não tenho de ter opinião sobre quem pode ser bispo, tal como não tenho de ter opinião sobre quantos devem ser os sacramentos. Se tiver opinião, sei que será sempre uma opinião sobre um clube que não é o meu.