O país tem cidadãos suficientes para que as coisas sejam bem feitas. Só que ninguém os quer ouvir. Chamo a vossa atenção para uma reportagem de cinco minutos que passou em 2008 no programa “Biosfera” da RTP2. Pus uma reprodução dela no meu blogue (http://ruitavares.net) e há várias outras a correr pela internet. O tema dessa reportagem é o efeito das intempéries nas ribeiras da Ilha da Madeira, nomeadamente em caso de chuvadas concentradas e muito abundantes. A razão por que gostaria que vissem esse vídeo é muito simples: está lá tudo. Nas palavras claríssimas de uma porta-voz da organização ambientalista Quercus e de um professor de Geologia da Universidade da Madeira, está explicado que as chuvadas como as que ocorreram há uma semana na Madeira são pouco frequentes, sim, mas descritas e conhecidas e esperadas. A formação das enxurradas de lama que todos vimos em imagem real aparece pedagogicamente narrada através de uma animação. E indicam-se alguns princípios de planeamento defensivo: à volta das ribeiras, sugere o professor de Geologia, devem construir-se jardins e parques, “que também são precisos e são fáceis de evacuar”; manda o simples bom senso que se deva evitar a construção de infraestruturas, algumas das quais importantes (hospitais, quartéis de bombeiros) nas proximidades das ribeiras.