Escrevi aqui muitas vezes que Obama seria o mais multilateralista dos presidentes americanos, e isso está amplamente confirmado. Desta vez apanharam-me: até eu acho exagerado o prémio Nobel da Paz atribuído a Barack Obama. Há cerca de um ano por esta altura, decidi que iria a Chicago assistir às eleições presidenciais americanas. Na Europa, um debate viciado por oito anos de George W. Bush deixava a direita escanchada numa cega arrogância em relação a Obama: ora negando a importância do então candidato, ora agourando-lhe uma falta de ligação ao “povo”, ora menosprezando o efeito que teria a sua eleição, na maior parte contra todas as evidências disponíveis. Em última análise, encolhiam os ombros e diziam que o putativo anti-americanismo dos europeus, e em particular da esquerda, se converteria rapidamente num sentimento anti-Obama. E em última das últimas análises, acrescentavam, Obama estaria ali para defender os interesses americanos e que isso acabaria rapidamente com as suas simpatias no resto do mundo.