Mau para a imprensa, mau para a democracia

Já existe em Portugal uma barreira demasiado grande à entrada dos cidadãos na causa pública. Ela foi erguida pela opacidade dos aparelhos dos partidos, mas também por preconceitos larvares Aqui há uns anos dei-me pela primeira vez conta da existência de um professor universitário que comentava nas televisões a Guerra do Iraque. O seu nome era Azeredo Lopes. Eu habituei-me a ouvi-lo com atenção porque as suas opiniões me pareciam interessantes e ponderadas. Admito que outros espectadores fizessem o mesmo. Mais tarde, o mesmo professor Azeredo Lopes foi nomeado presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Poderia dizer-se que o foi por causa da sua notoriedade como comentador televisivo? Talvez, na medida em que se ele fosse um completo desconhecido ninguém se lembraria dele. Mas por outro lado, a notoriedade dele não nasceu do nada: veio das opiniões que ele emitia, da forma bem articulada como o fazia e dos anos de estudo em que elas se alicerçavam.

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