Memórias sem hábitos

Aqui temos principalmente uma memória colectiva fortíssima de uma catástrofe antiga que se poderá repetir, ou não, durante as nossas vidas. Essa memória não se apagou, nem apaga, mas não se converte em hábitos. Quando publiquei o “Pequeno Livro do Grande Terramoto”, recebi uma mensagem de uma portuguesa emigrada numa cidade japonesa, onde estudava a língua e literatura daquele país. Contava-me ela que, tal como os seus vizinhos japoneses, se habituara a ter sempre uma mala feita com os objectos essenciais e roupa escolhida de prontidão para o caso de haver um sismo durante a noite. Quando saía pela manhã tinha um especial cuidado em fechar a canalização do gás, para evitar explosões no caso de haver um sismo quando estava fora de casa. Ao fazê-lo, salvava vidas. Perguntava-me ela por que razão, sendo Lisboa a cidade de 1755, os portugueses não tinham o mesmo tipo de cuidados.

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