Pragmatismo público

É a conclusão possível para a teoria segundo a qual todos os humanos são “agentes racionais no mercado”, pelos vistos com a excepção dos habitantes deste cantinho à beira-mar: os portugueses andam enganados. Notícias velhas: o eleitorado português virou à esquerda. Para quem estava desatento: o eleitorado está mais à esquerda do que os políticos. Uma sondagem recente da Visão diz que os portugueses dão preferência, por largas margens, aos serviços públicos nas seguintes áreas: câmaras municipais, segurança social, hospitais e centros de saúdes, escolas e universidades, recursos naturais. Em todas estes itens a maioria é de quase dois terços. Nos transportes públicos é de pouco mais de metade. E nos bancos, única área em que os resultados são mais renhidos, 43,8% contra 39,7% preferem os bancos públicos aos privados. Estes dados deixaram a direita desanimada e deprimida, repetindo aqui e ali ainda o queixume habitual.

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Tavares & Tavares

O erro de percurso do político preocupa-me menos do que o pecado contra a liberdade de expressão. Vindo do primeiro-ministro, este pecado acaba por infectar toda a cadeia de comando e degradar a qualidade da democracia que temos. Há coisa de um mês, o colunista do DN João Miguel Tavares escreveu uma crónica sobre a estratégia que José Sócrates utilizou para se referir ao Caso Freeport no Congresso do Partido Socialista. O título da crónica era “José Sócrates — o Cristo da Política Portuguesa” e a sua frase de abertura, que tem sido muito citada, era a seguinte: “Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina”. Sabe-se hoje que José Sócrates processou João Miguel Tavares por causa desta crónica. Há também informações de processos judiciais contra jornalistas do Público, mas vou ater-me aqui apenas a este caso. Em breves palavras terei de começar por dizer o que desejo para o caso Freeport.

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