O meu génio vivo preferido

Andrew Bird – From the Basement from QandnotU on Vimeo. [Interrompo este silêncio para publicar “Entrevista com o Homem-pássaro”, a minha longa defesa e proclamação de Andrew Bird que saiu no Ípsilon da semana passada. Quando digo que é longo, é longo: cerca de vinte mil carateres mais próprios para leitura impressa. Aqui acima, porém, está o vídeo que é descrito nos primeiros parágrafos: não sai na impressão mas é muito recomendável que o ponham a rodar na tela. Parte do meu objetivo no texto é convencer o leitor predisposto a que o veja com vagar. Daqui a pouco publicarei a transcrição integral da entrevista com Andrew Bird e depois seguirei com a minha programação habitual de estar caladinho durante mais umas semanas.] *** Toda a gente pode fazer isto: pesquise num computador “Andrew Bird” + “From the Basement”, que é nome de um programa de música britânico que grava actuações de músicos em alta definição numa cave. O clip pretendido dura quase nove minutos. Sugiro que reserve dez minutos do seu dia. Reserve vinte, porque pode querer ver duas vezes. Encontrará a imagem de um homem ainda jovem dedilhando um ritmo despreocupado no violino. O músico está vestido classicamente com colete e gravata, mas sem casaco. Também não calça sapatos; apenas um par de meias coloridas , pormenor em que reparamos pela primeira vez quando usa os pés para comandar uma fileira de pedais à sua frente. Esta é a única informação mais técnica a prestar: cada um desses pedais serve para gravar os últimos compassos de cada trecho que foi tocado e repeti-los enquanto Andrew Bird improvisa por cima deles. Com a sobreposição sucessiva de ritmos e melodias vai aparecendo um tear de ritmos entrecruzados. O primeiro é um quaternário quase infantil, mas Andrew Bird toca-o concentradamente para não falhar a entrada do segundo violino. Aí está. Um ritmo quase igual ao primeiro, mas em conjunto ambos elevam a música para uma trama mais aérea e esvoaçante. Agora, um terceiro: tocando com o polegar nas cordas mais graves, ele faz o papel do baixo, emprestando a tudo o balanço. A música tem agora a progressão de uma caminhada.

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