Destilação e fermentação

  O monoteísmo é destilação; mas o politeísmo é fermentação. Arrumar a mesa é destilação. Espalhar os papéis é fermentação.   Durante o século XVIII um número crescente de pensadores foi presumindo que o caminho para o progresso era a destilação. O princípio era muito simples: pegar em tudo o que fora escrito e dito, expurgá-lo de erros, incorrecções e falsidades, e dessa massa extrair a verdade purificada. Num dos livros (proibidos) que mais vendeu à época, — O Ano 2440, de Louis-Sébastien Mercier — acreditava-se que assim seria possível resumir todo o direito num livrinho pequeno e preservar todo o efectivo conhecimento do mundo numa estante de livros apenas.   Muito do século seguinte viveu sob esta ideia, sempre na busca de uma lei fundamental que permitisse interpretar tudo à nossa volta. Vejamos Darwin: “toda a evolução das espécies se dá por selecção natural”. Ou Marx: “toda a história da humanidade é a história da luta de classes”.

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Um soluço

Durante as festas interrompi a publicação das minhas crónicas aqui no blogue. O atraso será recuperado nas próximas horas.

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