Ligaram-me de Portugal para dizer que a avó de Obama tinha morrido. Encontrei-me com uma amiga às portas do Art Institue of Chicago. Disse-lhe que a avó de Obama tinha morrido. As pessoas à nossa volta pediram-me para repetir. Horas depois, no autocarro, em conversa com uma pessoa que já trabalhou para a campanha de Obama, fui eu que lhe dei a notícia. E agora estou aqui a escrever sobre o assunto, horas depois de todos os jornalistas e bloggers em Portugal já terem escrito sobre isto. A pessoa que está mais perto da notícia já não é a que está mais perto da notícia — só a pessoa que está no lugar da notícia o é. Isto quer dizer que algumas coisas vão ter de mudar em relação à cobertura noticiosa de acontecimentos a milhares de quilómetros de distância. Para a imprensa escrita, tenho as minhas ideias, e tentei levá-las à prática nos dois textos que saíram no público de hoje. É que continua a valer a pena viajar milhares de quilómetros para observar um acontecimento. Mas não é, por assim dizer, por causa das notícias. É mais por causa das não-notícias. É preciso uma atenção especial para as não-notícias.