[do Público de 12 de Agosto] Mas as crianças de quatro anos chegam aos cinco anos, e aí começam a exigir-nos mais: “eles são maus porquê, mãe?” Cada ameaça de atentado terrorista dá aos políticos uma janela de oportunidade para tratar os cidadãos como crianças de quatro anos. Para ser rigoroso, o mesmo acontece nos atentados reais, mas nessas ocasiões estamos demasiado ocupados com a brutalidade daquilo tudo para prestarmos atenção à pincelada grossa com que os nossos líderes pintam a realidade do mundo. Mas numa ocasião em que felizmente não há vítimas a lamentar, sobressaem em toda a sua rudimentar trivialidade as declarações de Blair, despachando uma definição dos terroristas como pessoas com “mal nos corações” ou “com corações muito maus”, e os afloramentos retóricos de Bush — esse magnífico simplificador — que esta semana andaram em torno disto: “detestam as nossas liberdades”, “querem destruir aqueles que amam a liberdade, magoar a nossa nação”, “este país está mais seguro do que antes do 11 de Setembro, mas obviamente não estamos completamente seguros porque ainda há gente que conspira e gente que nos quer magoar por causa daquilo em que acreditamos”. Com quem pensam eles que estão a falar?