Se duas pessoas adultas e livres se amam, não me cabe a mim decidir se podem ou não casar-se. E vejo com muito maus olhos que alguém queira tomar essa decisão em nome delas, em meu nome, ou em nome do estado.
É sem dúvida mais fácil escrever aqui àcerca de guerras do que de amor. Fica menos ridículo falar de política do que falar de amor, mesmo quando não podemos falar de uma coisa sem amputar a outra.
O casamento destina-se a tornar reconhecida, de forma jurídica, uma realidade pessoal: quando amamos muito alguém, essa pessoa torna-se para nós tão ou mais importante do que os nossos pais ou irmãos. Quando amamos, podemos ou não casar. Se casarmos, essa pessoa passa a ocupar do ponto de vista legal, na linha de sucessão, ou em decisões essenciais, o papel importante que para nós já tem. Falar disto é falar de amor: quando duas pessoas se amam, e se consideram uma família, têm direito a casar-se.
Note-se que para mim este é um direito que as pessoas têm. Nós limitamo-nos a reconhecê-lo. Não podemos dar às pessoas os direitos que já são delas. Não me cabe a mim decidir que pessoa pode ou não pode o meu vizinho amar, e ofender-me-ia que ele se julgasse no direito de decidir por mim. Se duas pessoas adultas e livres se amam, não me cabe a mim decidir se podem ou não casar-se. E vejo com muito maus olhos que alguém queira tomar essa decisão em nome delas, em meu nome, ou em nome do estado.
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O casamento é vedado a pessoas a quem não reconhecemos capacidade para tomar certas decisões importantes: por exemplo crianças, ou pessoas sem consciência autónoma. Quando certos estados norte-americanos não permitiam que uma pessoa de pele branca e outra de pele negra casassem — e foi há apenas duas gerações — estava por detrás dessa proibição a ideia de que os negros não eram pessoas com a consciência inteiramente formada. Aquele amor, portanto, não poderia nunca ser bem amor — e um branco que quisesse casar com um negro também não poderia estar bem da cabeça. A família que formassem nunca poderia ser uma família; era “outra coisa qualquer”. Pelo contrário, seria uma profanação das outras famílias só de brancos, essas sim famílias de primeira formadas por cidadãos de primeira, que não estavam “preparados” para o alarme social de ver negros casados com brancas, ou vice-versa.
É provável que ao ler isto — e decerto ao escrevê-lo — se sinta vergonha por ter havido quem defendeu tais ideias. Pois tais ideias são vergonhosas. Outras ideias vergonhosas: em tempos houve quem considerasse que um homem que ama outro homem, ou uma mulher outra mulher, padecia de uma doença mental e não poderia tomar decisões autónomas. E ainda há hoje quem considere que o casamento entre eles seria um ataque ao casamento “tradicional”. A sugestão é absurda. Ficariam os meus pais — casados há quarenta e seteoito anos — menos casados se dois homens ou duas mulheres se casarem civilmente? O absurdo destina-se a disfarçar a ideia que está por detrás dela: que os cidadãos adultos deixam de ter plenos direitos se por acaso amarem alguém do mesmo sexo.
Perguntam-me se eu sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Respondo que a pergunta está mal feita: não me passa sequer pela cabeça como poderia ser contra. Como poderia eu defender que um cidadão como eu não tem os mesmo direitos que eu? Que aquele amor não é amor? Que aquela família não é família? Que a liberdade deles não é liberdade, mas uma coisa amputada?
[do Público]






Ou seja, o JV recomenda a rendição ao catastrofismo, a alteração dos modos de vida, recupera o pessimismo malthusiano, chega até a manifestar a ideia de que o ser humano deve adaptar-se à Natureza e reduzir mesmo a natalidade para não dar cabo da Terra, tudo em nome de uma crença milenarista assente nos piores cenários de modelos imperfeitos, e diz cândidamente que não tem preconceios e que está do lado da ciência.
Orwell tinha razão…duplipensa-se, fraqueza é força, ciência é crença e está sempre em pé.
Não é aquilo que acredita ser, é exactamente aquilo que não diz ser.
Sartre chamava a isso má-fé…o empregado de café que queria ser artista e que dizia a toda a gente que não era empregado de café, mas sim artista..que por acaso agora estava a servir cafés enquanto não realizava o seu verdadeiro eu.
Era facticamente empregado de café e transcendentalmente artista.
O JV idem: acredita ser uma coisa mas é outra, que acredita não ser.
Leia Sartre, meu amigo. O Ser e o Nada…está lá chapadinho o seu dilema.
“Quanto a Sagan, basta-lhe usar o Google , para ter uma ideia da sua certeza no global ccoling.”
Pelo menos, nos “Biliões e Biliões” ele parece acreditar na tese do aquecimento global.
A respeito de se dizer que nos anos 70 se acreditava no arrefecimento global:
http://ventosueste.blogspot.com/2006/10/arrefecimento-global-em-1974.html
Lidador:
Eu sugeri que não é do interesse do estado meter-se na vida das pessoas para incentivar a natalidade, nem que mais não seja porque isso iria agravar o impacto ambiental.
A isto o Lidador chama «catastrofismo, a alteração dos modos de vida [...] crença milenarista assente nos piores cenários de modelos imperfeitos»
Acho que quem anda a seguir os conselhos do Grande Irmão é o Lidador… Vejamos:
Eu digo que o estado não se devia meter na vida das pessoas para as encorajar a ter mais filhos, e o Lidador acusa-me de colectivismo.
Eu digo que não sou marxista, e o Lidador diz que sou mesmo que não o saiba.
O Lidador defende que a ciência vai resolver todos os problemas, mas rejeita a mesma ciência que diz que eles existem.
O Lidador cita um texto que diz que é importante ter em conta o impacto ecológico do ser humano, e que ele deve ser avaliado com as ferramentas da ciência e não com o preconceito, para justificar a sua posição de que se deve ignorar o impacto ecológico do homem e que quem discorda de si é um marxista.
As contradições são tantas, que isto parece ser realmente um caso crónico de “doublethink”.
Lidador:
A sua resposta não foi nada estimulante: Limitou-se a críticar os adjectivos e o dicionário que eu uso e a insistir na crença ridícula de que um trabalhito de mestrado faz de si uma autoridade em termodinâmica da atmosfera.
Ainda julguei que alertando-o se desse conta da gaffe. Mas, afinal, não. Acredita convictamente nisso. É deplorável.
Por agora, abstenho-me de mais comentários, não porque você queira ou porque me sinta incapaz de refutar com facilidade os seus disparates acerca da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas porque passei a estar mais interessado no brilhantismo da escrita do JV.
Peço desculpa mas não entendo porquê tanta conversa acerca de na década de 70 se ter discutido a tese do arrefecimento global.
Bem, pela mesma ordem de ideias, como até ao renascimento a teoria vigente estipulava que o sol andava à volta da terra, jamais podá haver certezas acerca da veracidade do modelo heliocêntrico. Por favor…
Lidador:
Estive a ler por completo o seu artigo abjecto, que se pode resumir nos 3 pontos seguintes:
1. Além da parte em que levanta a bandeira da homofobia num tom de heroísmo bacoco, sem se saber em nome de quê ou de quem, e em que se manifesta apologista de atirar ovos a homossexuais, as únicas justificações que apresenta para a sua posição a propósito da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo são a quebra das finanças do Estado e o declínio demográfico.
A primeira tese é absurda (não, a crise financeira em Espanha e nos EUA não se deve à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo). A segunda é ridícula, dado que o casamento não é sinónimo de procriação.
2. Não apresenta quaisquer objecções de ordem ética.
3. Pelo meio, reconhece que as relações entre duas pessoas são do seu foro íntimo e a sociedade nada tem a ver com isso. Parabéns!
Então, que outras motivações poderiam justificar a sua posição? Só mesmo motivações (frustrações?) de ordem pessoal (o desejo de que a sociedade castigue os homossexuais, vedando-lhes a possibilidade de se casarem com quem querem), mas estas só a si lhe dizem respeito e são irrelevantes para a restante sociedade.
Como os impedimentos ao casamento entre pessoas do mesmo sexo constituem uma situação de discriminação inquestionável (percebo que se recuse a admitir, mas é problema seu e eu não vou gastar o meu latim a explicar algo tão evidente), para justificar a sua posição só mesmo descobrindo alguma objecção de ordem ética mais forte do que o imperativo ético de poupar os homossexuais a esta situação de discriminação.
Logo por azar, o casamento de duas pessoas é matéria que não colide com o direito de outrem e não é defensável que se invoquem razões de ordem financeira ou demográfica para justificar a sujeição duma minoria a uma situação de discriminação inaceitável e gratuita do ponto de vista ético.
Portanto, como vê, não há volta a dar-lhe: se quiser atirar ovos, terá que atirá-los sozinho e depois assumir as consequências.
Lidador:
Esqueci-me de referir a parte em que assume a sua condição animalesca.
Já foi ao médico? Já diagnosticaram o seu problema. Será licantropia?