[tci] Teoria da Comunicação e da Imagem: programa e bibliografia

Mais do que a terra-firme ou o planeta Terra, de onde se pode sair, a comunicação é a esfera em que os humanos vivem. A comunicação não é algo de excedente ou superfluo, mas o nosso bem básico de sobrevivência, e tudo aponta para que venha a sê-lo cada vez mais em exclusivo. No entanto, existe uma tendência exagerada em considerar a comunicação como um puro produto do espírito, quando ela é um bem híbrido, ancorado e construído a partir do mundo físico […]


TEORIA DA COMUNICAÇÃO E DA IMAGEM

Mais do que a terra-firme ou o planeta Terra, de onde se pode sair, a comunicação é a esfera em que os humanos vivem. A comunicação não é algo de excedente ou superfluo, mas o nosso bem básico de sobrevivência, e tudo aponta para que venha a sê-lo cada vez mais em exclusivo. No entanto, existe uma tendência exagerada em considerar a comunicação como um puro produto do espírito, quando ela é um bem híbrido, ancorado e construído a partir do mundo físico. Daí que faça sentido a pergunta: de que maneira podem as alterações nos suportes materiais da informação alterar de caminho a forma como vivemos? Estudaremos algumas das revoluções passadas nos suportes de comunicação, reflectiremos sobre outras presentes, e imaginaremos algumas para o futuro, sempre com esta pergunta em mente.
Por outro lado, esta cadeira explorará em particular as numerosas interrelações entre a imagem e o texto escrito, desde a invenção da escrita até ao presente, tanto num sentido estrito (quando a imagem e o texto partilham a mesma superfície material) como num sentido mais amplo (quando, por exemplo, as imagens se inspiram nos textos, ou os textos comentam as imagens).
A estratégia a seguir será tripla: 1) Fornecerá aos alunos uma breve história dos media, contada às avessas, do futuro para o passado; 2) Num segundo momento, pontuado por questões clássicas, medievais e renascentistas sobre memória e imagem, fará uma uma abordagem da história das ideias estéticas e da teoria da arte; e 3) Fechará com duas aulas dedicadas a uma questão aparentemente estranha ao tema da cadeira . a cegueira ., centrada num texto clássico: a Carta sobre os Cegos, de Diderot.

Segmentos
1. Os suportes materiais da informação. Do papiro à internet e além.
2. A arte da memória e a imaginação estética, de Simónides a Giordano Bruno.
3. Visão, imagem e arte: a Carta sobre os Cegos.

Bibliografia
Os quatro primeiros títulos serão o nosso ponto de partida. São livros curtos, entre as 70 e as 100 páginas, que os alunos devem procurar conhecer logo no início do ano lectivo.
? BELO, André, História & Livro e Leitura, Belo Horizonte, Autêntica, 2002.
? PAIVA, Eduardo França, História & Imagem, Belo Horizonte, Autêntica, 2002.
? SARAIVA, António José, O que é Cultura, Lisboa, Difusão Cultural, 1993.
? FERIN, Isabel, Comunicação e culturas do quotidiano, Lisboa, Quimera, 2002.
Os restantes livros, e outros que serão utilizados nas aulas, tratam aspectos importantes da cadeira. Devem ser lidos como ferramenta, ou seja, cabe a cada um decidir a forma de utilização que mais lhe convém (leitura anotada de uma obra essencial, leitura integral de dois títulos, ou leitura sumária de diversos destes livros).
? BAUMAN, Zygmunt, Life in Fragments. Essays in Postmodern Morality, London, Blackwell, 1997 [1995].
? BOUZA, Fernando, Imagen y propaganda. Capítulos de historia cultural del reinado de Felipe II, Madrid, Akal, 1998.
? CARRUTHERS, Mary, The Book of Memory. A Study of Memory in Medieval Culture, Cambridge, Cambridge University Press, 1990.
? CHARTIER, Roger [coord.], As Utilizações do Objecto Impresso, Lisboa, Difel, 1998 [1994].
? CHARTIER, Roger, Forms and Meanings. Texts, Performances, and Audiences from Codex to Computer, Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 1995.
? DAWKINS, Richard, O Relojoeiro Cego, Lisboa, Ed. 70, 1988.
? DIDEROT, Denis, Carta sobre os Cegos [trad. Rui Tavares], Almada, Íman edições, no prelo. Excertos da tradução serão entregues aos alunos em aula.
? ECO, Umberto, Obra Aberta, Lisboa, Difel, 1989 [1962].
? FEBVRE, Lucien & Martin, Henri-Jean, O Aparecimento do Livro, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2000.
? FINKELSTEIN, David & MCCLEERY, Alistair [eds.], The Book History Reader, London, Routledge, 2002.
? HOFSTADTER, Douglas R., Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid, London, Penguin Books, 1980 [1979].
? JANSON, História da Arte, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, várias edições.
? MCLUHAN, Marshall, A Galáxia de Gutenberg. A formação do homem tipográfico, São Paulo, Editora Nacional, 1977.
? PANOFKSY, Erwin, O Significado nas Artes Visuais, Lisboa, Editorial Presença, 1989.
? PANOFSKY, Erwin, Idea. A evolução do conceito de Belo, São Paulo, Martins Fontes, 1994.
? SACKS, Oliver, A Ilha sem Cor, Lisboa, Relógio d.Água, 1998.
? SACKS, Oliver, Um Antropólogo em Marte, Lisboa, Relógio d.Água, 1996.
? STEINER, George, Gramáticas da Criação, Lisboa, Relógio d.Água, 2002.
? VOLTAIRE, Micromegas. História filosófica [trad. Rui Tavares], Almada, Íman edições, 2001.
? YATES, Frances A., The Art of Memory, Harmondsworth, Penguin Books, 1969.

1 Resposta a “[tci] Teoria da Comunicação e da Imagem: programa e bibliografia”


  • Oi, sou estudante do 7ª periodo de Secretariado Executivo na Universidade Federal de Pernambuco e estou fazendo um trabalho de pesquisa, escolhi o tema comunicaçao e imagem, pois esta relacionado diretamente com o problema na empresa a qual trabalho e que pretendo tentar soluciona-lo. Gostaria, que, se possivel voces que trabalham na area pudessem me mandar algum material a respeito, relatar alguns livros nos quais eu possa pesquisar, etc. Alem desse email tambem tenho o fabiane.lobo@ig.com.br, aguardarei ansiosa por alguma resposta de voces, grata pela ajuda,
    Fabiane

    PS: meu teclado esta desconfigurado, por isso ausencia dos acentos.

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