Vejo que o João Galamba e o Daniel Oliveira ironizam com o Rodrigo Adão da Fonseca por este, auto-impedido de comprar o Público nos dias em que a minha crónica é publicada, acabar por na primeira viagem de comboio encontrar anónimos — que primeiro são anónimos faladores e possuidores de uma “gargalhada alarve” mas numa segunda recordação se transformam afinal em sábios com “uma vida inteira dedicada aos mercados financeiros, de prestígio intocável” — cujos argumentos de autoridade a serem desenvolvidos (não chegam a sê-lo) arrasariam os meus textos, poupando-lhe o trabalho de ler a crónica mas mesmo assim possibilitando a escrita de uma posta — “embora obviamente romanceada” — contra a crónica. Quando ando de comboio também me acontece imensas vezes encontrar alguém que praticamente me escreve as crónicas inteiras, arrasando brilhantemente os argumentos dos meus adversários em livros, revistas e jornais que assim nem tive de comprar ou sequer ler. Só não costumo divulgar essas conversas porque normalmente ocorrem com mulheres lindíssimas que, além de me apresentarem os seus prémios nobel como garantia de que sabem do que estão a falar, invariavelmente acabam por me convidar a subir aos seus apartamentos para beber martinis. Depois na manhã seguinte nunca me lembro de tudo o que me disseram e acabo por ter de escrever a crónica sozinho. Seria embaraçoso contar todas estas coisas.
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Rui,
Nunca disse que o meu acompanhante era anónimo; não disse que fui de comboio; e o mais divertido é que a pessoa existe mesmo, e a conversa existiu.
Porque é que só a mim não me acontece nada disto…
nem ando de comboio com gurus, nem ninguém comenta comigo as crónicas do rui (que leio atentamente, sozinho) nem sequer costumo partilhar os transportes públicos com mulheres lindíssimas…e quando acontece de cruzar-me com uma delas, nunca têm martini em casa, pelo que tenho que continuar demasiado sóbrio…
paciência, cada um tem o que merece!