Orgulho ignorante

Capa da Economist, há um ano e meio. Capa da Harper’s, há dois anos e meio.

Tentando fazer de conta que cumpre a promessa de não ler as crónicas de quem não concorda com ele, Rodrigo Adão da Fonseca descreve aqui a conversa que teve com um amigo imaginário sobre mim. Diz que eu “acertei no totobola à segunda-feira” sobre a crise do imobiliário, e resmunga contra o facto de eu citar as pessoas que previram e descreveram detalhadamente o que se ia passar, e sugeriram medidas para o evitar.

Um cronista que escreve sobre actualidade tem duas opções numa situação destas. Pode informar-se e passar aos leitores essa informação enquanto as coisas sucedem. Não estamos no fim da crise; ainda nem sequer estamos no meio. A última crónica termina até citando os avisos de três economistas (Roubini, Gros e Micossi) que têm acertado em cada momento da crise e que propõem medidas preventivas para o futuro próximo. Mas desde há meses tenho citado outros autores (Martin Wolf, Paul Krugman, Dean Baker) que propuseram correcções aos mecanismos defeituosos nas fases iniciais da crise, ou que explicaram por que as medidas então tomadas eram insuficientes.

Essa é uma opção: dar ao leitor a informação que me parece mais correcta e interessante. A outra opção é permanecer orgulhosamente ignorante como Rodrigo Adão da Fonseca que, mesmo à segunda-feira, continua a dizer que os resultados do totobola estão errados.

2 Respostas a “Orgulho ignorante”


  • Essa personagem RAF parece-me apenas mais uma figura da blogosfera (como tantas outras). Creio que não merece uma resposta à letra dada a qualidade (mediana) da argumentação que ele utiliza.

    Sugiro que se vire mais para os comentários feitos aqui.
    Obrigado e parabéns pela qualidade da escrita.

  • Caro Rui Tavares:
    Você acerta do totoloto à segunda-feira. Mas nem sempre.
    A maior parte das vezes nem à segunda-feira acerta, e confunde os seus preconceitos com factos.
    É por isso que não gosto do que escreve e do que diz na TV. Mas, ao contrário do RAF, vou continuar a ler, não por aprender alguma coisa, mas para ir acompanhando a forma de pensamento da esquerda-caviaró-pseudó-intelectualó-revoltada”.
    Cumprimentos
    Luís

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